
Liberal é o cacete.
Já que estamos falando de política, eu fiquei chateado com a morte da Dona Ruth, ela, ao contrario do marido, nunca mandou ninguém esquecer o que tinha escrito.

Quando a minha tia Lhô, que é minha vizinha, começa a gargalhar no final das tardes de domingo eu já sei que estão passando as videos-cassetadas do Domingão do Faustão. Nesse momento eu coloco na TV Globo e assisto ao único atrativo do programa do Fausto Silva, até meu caçula gosta. Ontem porem o apresentador cometeu uma gafe imperdoavel, num dos videos, apareceu um guaxinim, um mamifero da familia dos procionídeos, realmente mamado, o bichinho estava completamente bebado e cambaleava pela floresta, se tal humilhação já não fosse o suficiente para denegrir a imagem desse habitante das florestas norte-americanas, mas o ignorante apresentador ainda lhe tratou por Gambá. É preciso mais respeito com os animais, Guaxinim não é Gambá. Se ele ainda tivesse dito que esse Guaxinim está bebado como um Gambá, poderiamos considerar que era no sentido figurado, apesar que eu nunca vi um gambá bebado. O bicho pode até ser fedorento, mas não é alcolatra.
Eu repito; é preciso respeitar os animais. Por esse motivo não direi que Fausto Silva é um burro, pois esses esforçados animais já tiveram sua imagem muito denegrida na semana passada. Imaginem-se vocês leitores na pele dos pobres burros; ser um animal trabalhador que carrega peso o dia todo, que é um importante meio de transporte de pessoas e cargas em todo o mundo, em resumo um trabalhador que merece respeito e depois de um dia de labuta, chega em casa, come um pouquinho de alfafa e senta na frente da TV para assistir ao jogo da Seleção Brasileira e vê aquele espetaculo deprimente e se isso não bastasse ainda ouve seu nome comparado ao daquela anta(peço mil desculpas às antas) que é o Dunga.
Dia 12 de junho de 1993, um sábado nublado, um dia dos namorados em que muitos palmeirenses trocaram a namorada pelo time. Eu fui um deles. O Palmeiras foi o melhor da fase de classificação e dos quadrangulares finais, mas a vantagem de jogar por dois empates foi perdida na derrota para o Corinthians no primeiro jogo das finais. Viola com seu gol porco havia desbancado o favorito Verdão e aquela semana foi um tormento para todo palestrino, todos os fantasmas dos 16 anos sem titulo estavam povoando as nossas cabeças. Mas a esperança é, e sempre foi, verde.
Acordei cedo, na verdade nem consegui dormir direito, as 10 horas da manhã parti para o Morumbi. Meio-dia bati um sanduba de pernil na barraca do Bigode e logo em seguida já entrei no estádio. Os minutos se arrastavam e depois de uma espera angustiante, finalmente o Palmeiras estava em campo. Eu, e todos os palmeirenses, tínhamos a certeza que seria hoje o fim da famigerada fila. Primeiro lance do jogo e o Animal já quase marca. O Palmeiras mata o Corinthians e só dá Verdão. Quem freqüenta arquibancada sabe o que eu vou dizer, pairava no ar a confiança de que nós venceríamos, a torcida estava dando um show a parte. Do mesmo modo que os minutos se arrastaram até o inicio do jogo, depois que este começou o tempo voou, olhei para o relógio e já tinham passado 35 minutos. Aos 36 aconteceu o inevitável, o melhor comprovava sua supremacia e depois de tanto martelar, Evair tocou para o Zinho que bateu cruzado, a bola não foi forte, mas assim que ela passou pelo Ronaldo, o Morumba explodiu em verde. Depois do gol do Zinho, parecia que eu estava num filme, vieram as expulsões (Henrique, Ronaldo e injustamente Tonhão), nós sabíamos que o Corinthians não conseguiria marcar gol na gente, mas queríamos mais. E tivemos mais, gol de Evair, gol de Edílson, fim do jogo e veio a prorrogação.
No final do 1º tempo da prorrogação, pênalti para o Verdão, quando Evair pegou a bola, as lagrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, Gol, junto com cada um dos palmeirenses que lotavam o Morumbi eu comecei a pular. Pulamos e cantamos os 15 minutos do segundo tempo da prorrogação só esperando o apito final. A cada pulo eu lembrava os tropeços dos dezesseis anos de fila. Lembrei de todos os jogos decisivos que eu vi, no campo, o meu Verdão sucumbir e ser batido de forma inexplicável. A única certeza que eu tinha era que tudo tinha valido a pena, para viver o que nós estávamos vivendo, ali na arquibancada do Morumbi, eu teria ficado 50 anos na fila.
E o apito final veio e o grito de é Campeão foi ouvido por toda cidade, por todo estado, em todo o país. Do Morumbi eu fui para a Paulista, da Paulista fui para o Palestra, voltei para a Paulista e só cheguei em casa no dia seguinte. Lindo foi ver os velhinhos palestrinos no Parque Antártica gritando; chupa Viola, imita o porco agora.
Já se passaram 15 anos, mas aquele 12 de junho de 93 ficará para sempre na minha memória, e na de todos os palmeirenses, e eu agradeço a Deus por ter estado lá e participado da história do meu Verdão.

No final de mais de duas horas de um futebol muito bem jogado, os jogadores das duas equipes sentiam câimbras e foram para a loteria dos pênaltis e a sorte pendeu para o lado do Manchester. Os deuses do futebol fizeram escorregar na cobrança o maior líder do Chelsea, John Terry, e ele chutou a chance de ser campeão para fora. Nos alternados brilhou a estrela de Van Der Sar e o Manchester United de Sir Alex Ferguson é três vezes Campeão da Europa.
Agora à noite, no Maracanã lotado, o Fluminense teve mais vontade e venceu o "badalado" São Paulo. Washington, que merece um filme sobre sua carreira, marcou duas vezes e fez história para o seu Flu. Emocionante o abraço de Washington e Renato Gaúcho no final do jogo.
Já o "empresarial" time do Jardim Leonor mostrou o que vem mostrando esse ano todo; um futebol frouxo que depende única e exclusivamente do faro de gol do Adriano. Esse ano o São Paulo, até agora, não jogou nada que lembre o time campeão do ano passado. E usando uma frase verdadeira do ótimo Muricy Ramalho; O Futebol Pune. Foi o que aconteceu essa noite, o futebol puniu o futebol pequeno do Tricolor Paulista em prol do futebol mais ousado do Tricolor Carioca
Mas essa quarta-feira não foi só de coisas alegres para o futebol, o senhor Mano Menezes, que aparentava ser um profissional diferenciado dentre os técnicos de futebol, se mostrando uma pessoa sensata, mostrou sua verdadeira face, é idêntico aos demais; vaidoso e não assume suas responsabilidades. Na sua entrevista apos a derrota para o Botafogo, tentou tirar o foco do jogo, em que seu time perdeu, para uma entrevista em que Luxemburgo comenta os pontos fortes de Botafogo e de Corinthians, acusando o técnico do Palmeiras de antiético. O Mano parecia um diretor bambi chorando e dando a entender que o Cuca só soube marcar seu time com as dicas do Luxa. E o pior é afirmar que o juiz roubou para o Botafogo, pois estão com peninha do time carioca. Com certeza o Corinthians, atualmente, é mais digno de pena que o Botafogo. Se liga Mano.
É impressionante como o Corinthians achou seu verdadeiro lugar; a segunda divisão. Os estádios são ruins, os gramados péssimos, e onde quer que vá o "Timão" se sente em casa. É, para quem não têm casa, qualquer cantinho serve. Para demonstrar meu espírito de porco esportivo gostaria de parabenizar ao Corinthians por ser o 21º melhor time do Brasil da atualidade.
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